Arte ou Artes?

março 9, 2010


Singular ou plural? Se levarmos em consideração os outros campos de conhecimento humano, entendendo que a Arte seja também um campo de conhecimento, vamos fazer uso do seguinte raciocínio: a ciência não distingue, por exemplo, várias biologias, mas sim recortes diferenciados de uma mesma biologia, o estudo da vida em suas várias manifestações. Outro exemplo: não falamos em geografias, mas sim em vários recortes geográficos que selecionam desde a terra (geografia mesmo), os astros (geografia astronômica) e os seres humanos (geografia humana), sem nos preocuparmos se existem uma ou várias geografias. O que importa é a delimitação do campo de conhecimento ou de atuação que fazemos, logo, a Arte, sendo um desses campos, deve ser entendida do mesmo modo, portanto, nos parece ser mais apropriado falar em Arte e não em Artes. Embora seja comum chamarmos os diferentes modos de produzir Obras de Arte de Artes, essa é apenas uma confusão de entendimento entre campo de atuação e modo de produção. Para reduzirmos essa confusão devemos tomar como pressuposto que a Arte é um todo, una e indivisível. O que se modifica na Arte são as modalidades de expressão utilizadas em suas manifestações e não ela própria. Para melhor explicar isso vamos lançar mão de um quadro para melhor descrever essas diferenças, alertando para o fato de que esse quadro dá conta da Arte como um todo e não apenas da Arte Visual. Observando o quadro, vamos perceber que o disco central identifica a arte como um todo, é isto o que queremos mostrar. O segundo círculo, é a expansão do primeiro e nele vamos encontrar quatro subdivisões: que compreendem o campo específico da manifestação como o sonoro, o literário, o cênico e o visual. Neste caso, as diferentes substâncias expressivas se enquadram em cada um destes campos, logo, as substâncias da expressão sonora se distinguem daquelas que são operadas no contexto das substâncias visuais e assim por diante. O que serve à manifestação literária pode não servir para a manifestação cênica, como a dança, por exemplo. Ao mesmo tempo, não é possível delimitarmos cada um destes campos como ambientes herméticos, mesmo porque, se pensarmos no teatro podemos observar que há um componente literário, o texto teatral, que também é um gênero do campo literário, portanto um campo pode dialogar e complementar outro. Isso é comum, especialmente, nas manifestações contemporâneas. Há ainda um terceiro círculo, que expande uma segunda vez o círculo inicial da arte. Nele vemos diferentes modalidades expressivas, ou seja as diferentes poéticas, também chamadas por alguns de linguagens artísticas. Se observarmos o campo da expressão sonora, teremos a música como poética; se observarmos o campo literário, teremos alguns gêneros de expressão como o romance, a poesia e a prosa; se observarmos o campo das manifestações cênicas podemos ver o teatro, a dança e mímica como poéticas e, por fim, no campo visual, podemos encontrar as poéticas visuais como a pintura, a escultura, o desenho, a gravura, a fotografia, o cinema, o vídeo, enfim, diferentes modos de expressão. Entendemos ainda que estes modos de expressão também não são estanques, é possível que diferentes modalidades expressivas podem ser tratadas hibridamente, ou seja, o cinema, por exemplo, é composto por elementos plásticos, fotográficos, sonoros, literários etc. Portanto, defendemos o uso do conceito de Arte e não de Artes.


Professor Isaac Antonio Camargo
Professor de História da Arte no Curso de Arte Visual da Universidade Federal de Uberlândia-UFU, Minas Gerais, de História, teoria e crítica de Arte visual.

Endereço original e para outros textos do professor Isaac acesse
http://artevis.blogspot.com/


 

É possível definir Arte?

março 9, 2010
Muitas pessoas como os próprios artistas, os teóricos da arte, estetas e filósofos, escritores, jornalistas e críticos de plantão, vez ou outra sentiram o dever, o poder ou a curiosidade de definir arte, e tentaram fazer isso. Digo tentaram, pois definir é uma responsabilidade muito grande, já que a arte não é uma coisa só, nem eterna, nem definitiva, para conter uma única definição, como requer o termo. Ela se presta a diferentes leituras, portanto, diferentes modos de vê-la...

Continuar lendo...
 

_____

Rodrigo Borgues
Londrina - Pr
Rodrigo Borgues

Tags

Arquivo do blog

Crie um site gratuito com o Yola